sábado, 14 de maio de 2011

O Fim.

  Desde a antiguidade, diversas culturas partilharam um fascínio pela idéia do Fim. Um dos motivos dessa obsessão está em uma sutil equação: o contraste entre a finitude da vida e a eternidade do tempo. "Para a nossa mente, é muito difícil conceber a idéia da infinitude de espaço ou de tempo." diz o historiador Fernando Ferrari. "Sabemos que nossa vida terá fim. Mas, quando pensamos no que virá depois dela, somos perturbados pela idéia do tempo infinito." Eis o pano de fundo para tantos mitos de criação e dissolução do Universo em diferentes religiões e culturas. Assim como há um fecho inevitável para a existência individual, os povos buscam um epílogo grandioso e de significado transcendente para o resto. É da natureza do cérebro humano buscar padrões, atribuir ordem ao caos... Das várias formas que se reconhecem nas nuvens em minutos mirando o céu aos heróis espelhados nas constelações.
  A moral de uma história geralmente está no fim, como se sabe. Por isso, a maioria dos apocalipses traz a promessa de recompensa às agruras humanas. "A idéia do Fim é ambígua: pode aterrorizar, provocando o anseio de constante protelação, ou fascinar, a ponto de ser desejada" diz o teólogo Leomar Antonio Brustolin. Ou seja, o Fim do Mundo nem sempre é um fim do mundo.

Fonte: Aventuras na História.

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